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09/01/2024 às 14h45min - Atualizada em 09/01/2024 às 14h45min

"O Brasil está na vanguarda da identificação genética do solo e, com isso, mudando a agricultura que conhecemos"

Afirmação é de Vânia Pankievicz, CEO da GoSolos, startup que participa da revolução tecnológica no campo

Vânia Pankievicz, CEO da GoSolos
GoSolos identifica milhares de microrganismos que estão, de alguma forma, interferindo na produtividade Divulgação

A crescente demanda por alimentos e o aumento populacional apresentam desafios para a produção agrícola, ao mesmo tempo em que oferecem oportunidades para inovação e sustentabilidade.

A busca por práticas agrícolas mais eficientes, que promovam a preservação e a recuperação do meio ambiente diante das ameaças de mudanças climáticas, da manipulação dos solos e da perda da biodiversidade, são aspectos que colocam o Brasil na vanguarda de novas “tecnologias verdes”. É o caso dos bioinsumos e uma ampla cadeia de inovação relacionada a ele, em especial a identificação genética do solo, uma frente de pesquisa totalmente inovadora e em franca expansão.

Dentre as soluções que estão ganhando notoriedade, a plataforma GoSolos, startup de biotecnologia vem se destacando.

Nascida em 2022, foi fundada pelos mesmos idealizadores da GoGenetic, uma empresa de biotecnologia sediada em Curitiba (PR) e que nasceu dentro da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Boa parte dos seus colaboradores são microbiologistas e agrônomos que tem a missão de comprovar a eficiência das práticas de manejo e dos biofertilizantes disponíveis no mercado ou que serão lançados, identificar características da microbiota dos solos e dentre os resultados apontar quais são microrganismos presentes na amostra, se estão colaborando com a saúde da planta, ajudando na ciclagem de nutrientes ou se existem patógenos que podem causar doença ou agir em sinergia com pragas que estão prejudicando a lavoura.

“A missão da GoSolos é justamente mostrar o universo gigantesco que existe embaixo da terra e usar essa informação a favor do agricultor. Estamos desmistificando que a biologia molecular é um assunto tratado em laboratórios e nos meios acadêmicos. Queremos que os produtores conheçam e entendam de maneira simplificada todo o ciclo produtivo de uma planta, evidenciando primeiro a importância da biologia do solo, antes de iniciar qualquer plantio.”, resume Vânia Pankievicz, CEO da GoSolos.

 O mercado de insumos biológicos é crescente em todo o mundo, com um grande peso do Brasil pela dimensão da produção agrícola do país. Segundo dados da CropLife Brasil, entidade que representa a indústria de insumos, as vendas de produtos biológicos cresceram 30% em 2023 movimentando cerca de R$ 4 bilhões no país. O potencial do mercado nacional de bioinsumos também é destacado em publicação da Embrapa Soja de 2022, que projeta que o setor alcançará o volume de R$16,9 bilhões em 2030. 

 

Como é feita a identificação genética do solo?

Trata-se de uma solução em microbiologia de precisão, apoiada no sequenciamento genético de uma pequena amostra de solo, que informa as sequências de DNA – de bactérias e fungos – encontradas em determinada área. No caso da plataforma GoSolos, o resultado é uma lista com a identidade de milhares de microrganismos que estão, de alguma forma, interferindo na produtividade. São três grandes frentes de dados que permitem ao produtor tomar decisões em suas lavouras.

A primeira delas é relacionada à análise do risco de doenças de solo por DNAque identifica os agentes supressivos e as ameaças de patógenos no solo. Já a segunda frente faz o produtor passar a entender os aspectos relacionados à saúde de sua lavoura e ver uma nova maneira de estudar o solo, os agentes promotores de crescimento, os fixadores de nutrientes, além de diversos outros microrganismos: “O solo possui uma alta diversidade de microrganismos bons como fator de supressividade, por isso, é necessário identificá-los. A análise do potencial e das fraquezas do solo gera um novo conhecimento que auxilia na tomada de decisões, que levam a práticas de manejo mais eficientes.”, explica Pankievicz.

Por fim, a terceira frente de atuação é a própria sustentabilidade que, em médio e longo prazos, dimensiona as alterações do solo. Por meio das informações genéticas, é possível identificar fatores que tornam os solos mais fortes e produtivos devido a essa facilidade de mostrar mudanças e assim buscar as causas e projetar cenários eficientes de combate e recuperação das áreas.

“Recolhemos informações gerais do produtor, como quais insumos foram utilizados, quais as características físico-químicas do solo, as condições climáticas da região e os cultivos anteriores. Assim, cruzamos esses dados com a análise biológica da área, gerando conhecimento com sugestões de manejo, usando a precisão da genética. O resultado é o avanço da produtividade por área plantada e a mitigação consistente de doenças”, analisa.

 

O “caminho tecnológico” que está transformando a produtividade agrícola

A jornada de utilização da plataforma GoSolos começa com a coleta de solo que geralmente é realizada no período de pré-plantio, sendo recomendado fazer após a colheita da cultura instalada na área e o mais distante possível da semeadura da cultura seguinte. Também devem ser evitados dias após a chuva ou de fertilizações. “Oferecemos caixa, tubos de amostragem e uma espátula que simplifica a coleta do solo, algo que deixa o produtor muito satisfeito devido à sua descomplicação operacional”, explica.

Para escolher o local da coleta, a GoSolos orienta considerar o talhão desejado e buscar sempre por uma amostra homogênea, evitando áreas menos representativas (baixadas, bordaduras e manchas de solo). Se o objetivo da análise é elucidar pontos de baixa produtividade ou manchas, recomenda-se então delimitar essas áreas e retirar especificamente um pedaço delas. A amostragem é realizada de forma composta, o que significa que cada tubo deve conter subamostras em número de 5 a 12 pontos do mesmo local. Essa prática torna a análise verdadeiramente representativa.

É importante que cada área de amostragem tenha características uniformes do solo (pH, textura) e práticas de manejo consistentes (aplicações de fertilizantes, irrigação, entre outras.) Por isso, durante o processo também é essencial o compartilhamento do histórico da área e dados de análise física, química ou biológica para que seja traçado um estudo de indicadores relevantes. “Poucos anos atrás era impossível prever que, com uma pequena amostra e muita biotecnologia seria possível realizar análises de DNA do cenário biológico de uma determinada área de plantio, garantindo informações úteis para a lavoura, manejo e a sobrevivência ou não dos microrganismos do solo”, finaliza Pankievicz.


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